Quando parei de fugir de mim
Fiquei quando todos foram,
não por coragem,
mas por não caber.
Meu cabelo dizia o que ninguém explicava,
meu corpo carregava perguntas
que os adultos desviavam com silêncio.
Aprendi cedo
que pertencer dói
quando ninguém confirma que você é casa.
Na casa da avó não havia limites,
e eu confundi liberdade com anestesia.
Vivi tudo tarde,
tarde demais ou cedo demais,
ninguém avisou que existe um preço
para fugir de si.
Bebi para calar,
amei para não voltar,
usei excessos como quem constrói abrigo
com material errado.
Eu não queria morrer,
eu só não queria sentir.
Morei com quem não me via
porque naquele vazio
eu ao menos não precisava explicar quem era.
Quando me expulsaram,
não foi da casa
foi da ilusão.
Depois fui mãe
e mesmo assim ainda fugi.
Não por falta de amor,
mas por excesso de ausência em mim.
Deixava meu filho com quem podia cuidar
enquanto eu tentava, em vão,
me perder de mim mesma.
Até que um dia cansei.
Não das baladas,
mas do eco.
Do barulho de viver sem raiz.
Voltei diferente.
Não pura,
não resolvida,
mas desperta.
Hoje carrego cicatrizes
que não pedem desculpa.
Elas contam a história
de uma mulher
que tentou sobreviver
sem saber como.
Não me orgulho de tudo,
mas não nego nada.
Porque cada erro
foi um pedido de amor
que não soube ser dito.
E sigo,
não para apagar o passado,
mas para finalmente morar em mim.
Fiquei quando todos foram,
não por coragem,
mas por não caber.
Meu cabelo dizia o que ninguém explicava,
meu corpo carregava perguntas
que os adultos desviavam com silêncio.
Aprendi cedo
que pertencer dói
quando ninguém confirma que você é casa.
Na casa da avó não havia limites,
e eu confundi liberdade com anestesia.
Vivi tudo tarde,
tarde demais ou cedo demais,
ninguém avisou que existe um preço
para fugir de si.
Bebi para calar,
amei para não voltar,
usei excessos como quem constrói abrigo
com material errado.
Eu não queria morrer,
eu só não queria sentir.
Morei com quem não me via
porque naquele vazio
eu ao menos não precisava explicar quem era.
Quando me expulsaram,
não foi da casa
foi da ilusão.
Depois fui mãe
e mesmo assim ainda fugi.
Não por falta de amor,
mas por excesso de ausência em mim.
Deixava meu filho com quem podia cuidar
enquanto eu tentava, em vão,
me perder de mim mesma.
Até que um dia cansei.
Não das baladas,
mas do eco.
Do barulho de viver sem raiz.
Voltei diferente.
Não pura,
não resolvida,
mas desperta.
Hoje carrego cicatrizes
que não pedem desculpa.
Elas contam a história
de uma mulher
que tentou sobreviver
sem saber como.
Não me orgulho de tudo,
mas não nego nada.
Porque cada erro
foi um pedido de amor
que não soube ser dito.
E sigo,
não para apagar o passado,
mas para finalmente morar em mim.

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